Atividade Física em Pessoas com Transtornos de Humor

Atividade Física em Pessoas com Transtorno de Humor

São inúmeras as evidências dos efeitos benéficos do exercício físico sobre a saúde em geral. Nos últimos vinte anos, diversos trabalhos científicos têm avaliado o papel da prática de atividade física em pacientes com algum tipo de transtorno psicológico, sugerindo um efeito positivo do exercício físico tanto no tratamento, quanto na melhora da qualidade de vida e bem-estar destes indivíduos. O caso do transtorno afetivo bipolar é um dos mais notáveis.
Os distúrbios bipolares caracterizam-se por oscilações entre a depressão e a mania, os quais envolvem episódios maníacos, hipomaníacos, depressivos e mistos. Ocorre uma escassez de substâncias que são encarregadas de propagar os estímulos nervosos. Os sintomas mais comuns são oscilação de humor, falta de energia e de motivação, muito ou pouco apetite, pouco ou muito interesse sexual, incapacidade de tomar decisões, pensamentos negativos, concentração reduzida, insônia, agressividade, irritabilidade e ansiedade.
A atividade física atua positivamente nesses quadros clínicos como prevenção de possível recaída e contribui para diminuir quantitativamente a necessidade da ingestão medicamentosa. Exercícios aeróbicos com intensidade em torno de 65% a 80% auxiliam na redução de ansiedade, podendo assim reduzir o nível de cortisol, que normalmente se encontra aumentado no portador do distúrbio bipolar. A prática de exercício físico aponta mudanças nos níveis de neurotransmissão, afetando positivamente o comportamento afetivo e motor, a percepção sensorial e a integração sensório-motora.
Com relação ao sono, a atividade física é considerada uma intervenção não farmacológica para melhora da qualidade do sono. Pesquisas apontam que pessoas ativas têm melhor qualidade de sono do que as inativas.
Exercícios físicos com intensidade de 70% a 80% da freqüência cardíaca, paralelamente ao relaxamento (ioga, bola suíça, body balance e outros), têm mostrado grande eficiência na regularização do parâmetro bioquímico do cortisol, melhorando a qualidade de vida e prevenindo as doenças crônicas degenerativas. As atividades aeróbicas com intensidades maiores, de 80% a 85%, auxiliam na captação de serotonina.
É necessária uma perspectiva multidisciplinar, com o apoio de médicos, psiquiatras, psicólogos e nutricionistas no atendimento dos portadores de transtornos de humor pelos profissionais de educação física. O planejamento da atividade física deve prescrever diferentes intensidades e volumes de acordo com cada indivíduo e com os episódios decorrentes das fases pelas quais passam os portadores do transtorno bipolar.
É importante salientar que a atividade física é um auxiliar no tratamento de transtorno de humor e não elimina o tratamento com medicamentos e psicoterapia. É fundamental que o profissional de educação física seja qualificado, ou seja, além de ser graduado e credenciado, ele deve se manter atualizado e buscar o conhecimento técnico adequado para cada caso, de modo a atender corretamente o aluno e contribuir para seu progresso.
Adriana da Boit
Educadora Física e Acupunturista

One thought on “Atividade Física em Pessoas com Transtornos de Humor

  1. Muito interessante o seu texto, pois sou graduando em E.F e tenho uma namorada que tem o TBH, estou seriamente em fazer um tcc sobre atividade física sobe o efeito nas pessoas com TBH.

    Caso tenha mais artigos para recomendar, agradeço!

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